Reconhecimento: pesquisa com pele de tilápia, desenvolvida na UFC, é a grande vencedora do Prêmio Euro Inovação em Saúde

Imagem: Equipe vencedora, responsável pelas pesquisas com pele de tilápia, segurando cheque simbólico de 50 mil euros (Foto: Divulgação)A pesquisa inovadora “A pele de tilápia: um novo biomaterial para tratamento de queimaduras, feridas, cirurgias ginecológicas e medicina regenerativa”, realizada no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará, foi a vencedora do Prêmio Euro Inovação na Saúde, concedido pela indústria Eurofarma Laboratórios S.A. O concurso é tido como o mais importante da medicina nacional.

O anúncio da pesquisa vencedora ocorreu na noite de ontem (24), em evento virtual. Em última etapa, o grande júri, formado por médicos de todo o Brasil, definiu o estudo como primeiro colocado, considerado o Grande Vencedor. A premiação recebida pela equipe é de 500 mil euros. Foram inscritos 1.653 trabalhos inicialmente. Desses, o Conselho Médico do concurso selecionou 11 finalistas, dentre os quais a pesquisa desenvolvida na UFC foi a vitoriosa. As outras 10 iniciativas finalistas receberão, cada uma, o valor correspondente em reais a 50 mil euros.

As pesquisas sobre uso da pele de tilápia na saúde são coordenadas pelo Prof. Odorico de Moraes, docente do Departamento de Fisiologia e Farmacologia e diretor do NPDM, e pelo médico Edmar Maciel, pesquisador do NPDM e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), vinculado ao Instituto Dr. José Frota (IJF) ‒ hospital municipal de Fortaleza que é referência no tratamento de queimados.

Os estudos realizados pelo grupo de pesquisa com pele de tilápia já conquistaram 15 primeiros lugares em diversos concursos e resultaram em mais de 20 trabalhos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais. O grupo do NPDM formou parcerias com pesquisadores em sete estados brasileiros e em sete países, totalizando mais de 200 colaboradores atualmente.

Imagem: Pessoa segurando a pele de tilápia durante processo de beneficiamento do material para aplicação prática (Foto: Viktor Braga/UFC)ORGULHO PARA OS CEARENSES ‒ Na tarde desta sexta-feira (25), o governador Camilo Santana, por meio de suas redes sociais, parabenizou a equipe pelo prêmio e comemorou o fato de o Ceará ser destaque nacional em pesquisa científica.

“O projeto da pele de tilápia, que conheci de perto, já é aplicado em pacientes internados no IJF, em outros seis estados brasileiros e sete países (EUA, Alemanha, Holanda, Colômbia, Guatemala, Argentina e Equador). Parabéns aos médicos Odorico de Moraes, diretor do NPDM; Edmar Maciel, presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), do IJF, e a todos que participam do programa. O reconhecimento desse projeto é motivo de muito orgulho para os cearenses”, disse o governador.

VITÓRIA DA UFC E DA CIÊNCIA CEARENSE ‒ Para o Prof. Odorico de Moraes, o prêmio Euro de Inovação na Saúde é um reconhecimento pela dedicação e o trabalho de um grupo de pesquisadores do NPDM, onde, além dele, se destacam Edmar Maciel, Elisabete Moraes, Carlos Paier, Felipe Rocha e Ana Paula Nunes, à frente de equipes disseminadas em vários estados brasileiros e sete outros países. Além disso, o pesquisador considera que a conquista representa uma vitória do NPDM, da UFC, da ciência cearense e de todos os brasileiros.

“Transformar a pesquisa em bem social levando soluções para problemas de saúde que acometem a nossa população sempre foi um dos nossos principais objetivos no NPDM. Este prêmio foi importante para mostrar para o País o que o NPDM e a UFC podem fazer pela sociedade. É também um incentivo para novas gerações de jovens cientistas para buscarem nas suas pesquisas soluções inovadoras que possam contribuir para a saúde da população”, disse. Segundo ele, a recompensa monetária do prêmio será investida na continuação da pesquisa da pele da tilápia e seus derivados.

EXPANSÃO ‒ “Estou muito feliz com essa conquista. O Brasil nunca teve pele de animal para tratar queimados e feridos e os produtos que estamos estudando e desenvolvendo são exportados por nosso País, com um elevado custo, não chegando, na maioria das vezes, na população mais carente. Estamos finalizando o processo de negociação para que uma empresa possa registrar o produto na ANVISA, produzir e comercializar em larga escala e, inclusive, ser utilizado no mercado internacional”, disse o médico Edmar Maciel durante a cerimônia.

Imagem: Equipe de médicos segurando saco com pele de tilápia, após o material ser utilizada em uma cirrugia de redesignação sexual (Foto: divulgação)GINECOLOGIA ‒ Além do êxito obtido com a pele de tilápia no tratamento de queimados, o que ocorre desde 2015 com o uso em pacientes do IJF, a pesquisa é sucesso na aplicação da pele de tilápia na ginecologia. Na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC), já foram realizados 17 procedimentos de reconstrução vaginal em pacientes com síndrome de Rokitansky e câncer de vagina.

A técnica é trabalhada há quatro anos de forma pioneira pelo Prof. Leonardo Bezerra, do Departamento de Saúde Materno-Infantil. Em 2019, Bezerra participou de um procedimento inédito no mundo, no qual a pele de tilápia foi utilizada na pós-cirurgia de redesignação sexual de uma paciente trans, em centro hospitalar vinculado à Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). No Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), quatro pacientes já foram beneficiados com o uso do material no tratamento de úlceras varicosas.

A partir das pesquisas realizadas na UFC, amostras de pele de tilápia também fizeram parte de estudos da agência espacial norte-americana, a NASA, em parceria com outras instituições de pesquisa e educação, para testes no âmbito do projeto Cubes in Space (Cubos no Espaço).

Os estudos bem-sucedidos com pele de tilápia extrapolaram o meio científico e acadêmico e chegaram ao conhecimento do grande público, tanto por diversas reportagens como por meio de séries de TV, como The Good Doctor e Grey’s Anatomy.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional ‒ e-mail: ufcinforma@ufc.br