O Laboratório de Farmacologia da Inflamação e do Câncer (LAFICA) foi originalmente fundado em 1994 por três pesquisadores, o Prof. Ronaldo de Albuquerque Ribeiro, o Prof. Carlos Alberto Flores e o Prof. Francisco Airton Castro da Rocha, ficando sob a coordenação do primeiro até o ano de 2015. A partir de então, a condução das atividades foi assumida pelos Professores Roberto César Lima, Pesquisador 2 do CNPq, e Mariana Lima Vale. Em 2008, o LAFICA passou a abrigar o Núcleo para o Estudo das Toxicidades do Tratamento Oncológico (NETTO), decorrente do fomento em pesquisa aportado pela FUNCAP/CNPq na forma de um PRONEX (Programa de Apoio a Núcleos de Excelência).

O referido apoio contribuiu para a expansão de uma de suas linhas de pesquisa de maior destaque, qual seja, o estudo dos mecanismos e mediadores envolvidos nas lesões teciduais que surgem em decorrência da toxicidade da quimioterapia e radioterapia antineoplásicas. Nesse aspecto, o LAFICA tem contribuído para aprofundar e estender conceitos, práticas e ideias advindas dos avanços da pesquisa científica desenvolvida por este núcleo. Dessa forma, em relação aos aspectos práticos, desenvolvemos modelos experimentais inéditos de toxicidade, incluindo-se um modelo de esteato-hepatite induzida por irinotecano, um de osteonecrose de mandíbula relacionada ao uso do bisfosfonato ácido zoledrônico, um modelo inédito de mucosite oral provocada por radioterapia de megavoltagem e um de retite actínica induzida por braquiterapia. Conceitualmente, demonstramos que o processo de translocação bacteriana a partir do intestino e a ativação de receptores toll-like tipo 2, 4 e 9 são passos fundamentais na patogênese da mucosite intestinal e eventos necessários para o estabelecimento de um processo inflamatório no fígado, a esteato-hepatite, ambas as toxicidades consequentes ao uso do agente antitumoral irinotecano, largamente utilizado na quimioterapia do câncer. Adicionais conceitos gerados por nossos estudos, incluem a descrição de outros componentes inflamatórios dessa cascata de eventos, como a interleucina-18 (IL-18) e a Interleucina-33 e o papel regulador de células imunológicas. Tais achados para a mucosite revelaram o surgimento de possibilidades reais de intervenções terapêuticas seletivas para esses alvos, os chamados druggable targets. Nosso laboratório também tem investigado os mecanismos relacionados à outra toxicidade, a neuropatia sensitiva periférica (NSP) induzida por oxaliplatina. Nesse sentido, demonstramos um aumento da imunomarcação para óxido nítrico sintase induzida (iNOS) e neuronal (nNOS), nitrotirosina, caspase-3 e proteína fos no corno dorsal da medula espinhal, sugerindo a possível participação destes na patogênese da NSP. Os diversos achados experimentais estão em fase de translação para o contexto clínico. Um passo inicial, portanto, foi a detecção da NSP por um método de fácil exequibilidade, que foi a utilização do von Frey eletrônico associado a um questionário apropriado em pacientes com câncer colorretal tratados com quimioterapia à base de oxaliplatina. Verificamos um percentual de toxicidade superior ao relatado na literatura. Esses achados abrem perspectiva para, em pacientes, realizarem-se avaliações acerca do potencial terapêutico de novos agentes cuja eficácia temos verificado experimentalmente. Abordagens similares estão em curso para outras toxicidades.

Outra linha de pesquisa do laboratório envolve o estudo de marcadores moleculares do câncer e a investigação do perfil de expressão diferencial de microRNAs plasmáticos como ferramenta para o rastreamento de câncer colorretal.

O LAFICA conta, ainda, com a parceria estabelecida com o Laboratório de Inflamação e Dor (LID), sob a coordenação do Prof. Dr. Fernando de Queiroz Cunha da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-FMRP, Universidade de São Paulo, que dispõe de camundongos knockout para genes de interesse em investigação de respostas inflamatórias e nociceptivas. Essa colaboração é evidenciada por quase seis dezenas de trabalhos publicados ao longo de duas décadas de parceria. O LAFICA tem infraestrutura física inserida no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), centro de pesquisas que congrega pesquisadores pertencentes aos quadros da Faculdade de Medicina da UFC, os quais são vinculados a diferentes programas de pós-graduação com relevante produção de conhecimentos científicos por meio da formação de recursos humanos altamente qualificados. Conta, ainda, com vários equipamentos para o estudo da resposta inflamatória relacionada a diversas patologias. Dentre esses equipamentos incluem-se: microscópio intravital, 2 capelas de fluxo laminar, incubadora de CO2, câmara de Boyden, PCR em tempo real, equipamento de Western Blot, centrífugas, Leitor de placas, 2 Freezers -70 graus, Espectrofotômetro, Microscópio com captura de imagens e programa para morfometria.